Crônicas do dia-a-dia louco e insano que passamos correndo sempre, sem sequer olhar profundamente para si mesmo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Do alto desse prédio.....

Do alto desse prédio eu vejo a cidade, posso sentir toda a dor que as pessoas sentem, todo o tesão do sexo no ar, todo o fedor de vômito e uréia espalhados pelas ruas frias.
Acendo o meu cigarro e penso - "Até aonde isso tudo vai acabar?"
Fico lembrando de quando eu subia no alto do prédio apenas pra fumar e ver as luzes, hoje em dia eu fico somente a pensar.
Sinto sua falta, sinto falta das conversas, sinto falta de acordar juntos, das risadas.
Mas o orgulho de cada um, nos mostrou certas coisas que nunca imaginamos ser dessa maneira.
Cada um que siga sua vida, foi o que pensei, deve ter sido o que pensou.
O ser humano é um bosta mesmo! Não consegue ser simples, tem que complicar sempre, não pode ajudar as pessoas, sem ter nada em troca, não entende o que uma pessoa pode fazer, mas julgar sempre está em alta, né? Porque não ver o lado bom das coisas, entender o que deve ser feito nessa hora?
Egoísmo, Individualismo, Rancor, Medo, Ira, tudo junto ao mesmo tempo dá nisso!
As vezes queria ser como as aves, sair por ai em bandos, sempre fugindo do frio, mas no meu caso seria pra fugir das pessoas, as pessoas me cansam, as pessoas me machucam, as pessoas me matam aos poucos...
Por isso tenho essa certeza, de que no final das contas, ninguém está nem ai pra você! Ninguém quer realmente saber se você está bem, se você quer conversar de verdade, se você quer tentar isso, quer tentar aquilo, na verdade, essas pessoas querem mesmo que você se FODA!
É cruel, mas é a mais pura verdade! Sempre!
Tem suas exceções? Deve ter, mas ainda não entraram nas pesquisas feitas pelo mundo afora!
Daqui do alto desse prédio, enquanto eu fumo meu cigarro e tomo minha cerveja, vejo as luzes, penso tudo isso, mas no final eu não chego a conclusão nenhuma...
Aliás, eu tinha que chegar há alguma?

Hunf, daqui do alto eu vejo as luzes da cidade e imagino como deve ser agora.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sem ficção

Definitivamente a criatividade sumiu.
Estava escrevendo um texto horrível pra atualizar aqui, mas ele estava tão ruim que desisti.
Preciso de inspiração!
Preciso de energia!
Preciso esquecer o sonhos que andam me atormentado dia após dia!
Preciso de paz.
Mas tá foda!

ps. sem tesão pra escrever.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ah... O Amor...

Me vejo sozinho em minha casa.
Ainda sinto o seu cheiro, nos móveis, nas minhas roupas, nos cômodos por onde nos amamos.
Ainda sinto teu gosto na minha boca.
Ainda ouço sua risada ecoando pela sala, pelo quarto.
Ainda ouço sua voz doce, ao pé do ouvido, dizendo coisas que nunca esquecerei.
Sei que não devo sentir isso por ti. Mas é impossível, praticamente inevitável.
Inevitável querer tua pele nua sobre o meu corpo, sentir seu corpo quente após o banho, sentir o peso do seu corpo quando dorme sobre mim.
Inevitável querer olhar nos teus olhos castanhos, doces e cheios de mistérios.
Inevitável querer fazer-te gozar sobre mim, ver o prazer espantado em todo seu rosto.
Mas com lágrimas nos olhos, eu sei o porque você nunca virá...
Porque não passas de uma PUTA!
Uma reles putinha, medíocre e infeliz! Jogada na ruas e no mundo, perdendo o pouco que lhe sobra de dignidade e amor próprio.
Mas além disso, estás a perder o homem da sua vida, o grande amor que desde pequena sempre desejou.
Estás prestes a perder o grande amor de sua vida, sua PUTA!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

De manhã...

Acendo um cigarro. Sento na beirada da cama. Ainda sinto o gosto amargo de conhaque barato na boca. Minha cabeça dói, reflexo da minha ressaca quase cotidiana. Vejo meu reflexo nesse espelho estúpido que parece ampliar ainda mais os meus defeitos.
Sinto um tremor na cama e um ruído característico de quem sonha, olho para o lado e vejo o corpo da minha diversão noturna, coitado, cujo o nome eu não sei. Está dormindo um sono gostoso e tranqüilo como um anjo, mas sonha na cama mais impura do sistema solar.
Não consigo me recordar aonde o conheci, mas sei muito bem o que fizemos, pois o odor de sexo e suor continua a transpirar das paredes, ou seria o mesmo odor de sempre? Foda-se!
Seu corpo magro, seu cabelo claro, sua barba por fazer, ele até chega a ser bonito, vamos colocar assim, mas é apenas isso, apenas uma noite.
Me levanto e vou nu até a cozinha, pego uma cerveja na geladeira (às 10 da manhã???), vejo que a casa continua como sempre, uma zona. Caixas de pizza, comida congelada, latas de cerveja e milhares de bitucas de cigarro espalhados pelo chão do apartamento.
Sinto nojo da casa, sinto nojo da cama, sinto nojo de mim. A depressão e a desilusão para com a raça humana, me tornou esse resto de ser humano, sem vontade, sem princípios...
Enquanto "admiro" a podridão do meu lar, ouço um "bom dia" em alto e bom tom vindo do meu quarto.
É... chegou a hora de fazer algo que eu detesto pela manhã, a hora de espantar (ou expulsar na maioria dos casos) o jovem anjo, com sua beleza ímpar desse antro imundo que eu nomeei como lar.
Quando volto para o quarto, fumando e bebendo, ele me olha com desejo, com aquele sorriso característico de quem sabe o que quer e com o seu sexo em total excitação:
- Vamos? - me pergunta, fazendo um movimento com o próprio.
Dou um sorriso e penso:
"É! Acho que eu posso me divertir mais um pouco ainda".

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Qual é o oposto de amar?

Qual é o oposto de amar?
Ódio? Ira? Raiva?
Sempre achei que era algo do tipo.
Mas depois que Pedro me deixou, a primeira coisa que percebi, é que quando somos largados num mar de tristeza assim, sem mais nem menos, é a solidão que nos faz companhia.
A Casa. Não aguento ver a casa vazia, fria, triste. O cheiro dele nas minhas roupas, no guarda-roupas vazio, ver as fotos das festas com os amigos, ver as fotos das nossas viagens, ouvir as músicas que embalaram todos os meus sonhos de felicidade com ele.
Tenho um buraco negro dentro de mim. Um buraco negro, que está sugando tudo de bom e alegre que existe ou existiu em minha vida. Pedro não só me deixou, como tirou de mim a felicidade da sua companhia, da sua segurança, da sua confiança e do seu amor.
Faz 3 meses que estou nesse estágio. Não tenho vontade de nada. Sei que tenho que me erguer, que tenho que lutar novamente, mas dentro de mim, a dor é tanta e ao mesmo nenhuma.
Sempre precisei ver o ferimento pra sentir a dor, ver o sangue pra sentir a dor.
Mas quando a dor que sinto, está por dentro, me matando, me flagelando, não sei como sentir essa dor, não sei como fazê-la parar.
Meus amigos me esqueceram, porque foi o que pedi que fizessem, que me esquecem. Me deixassem em paz, se é que ficar nessa casa fria e gelada remoendo o passado se pode chamar de paz.
Lógico que pensei inúmeras vezes em me matar, mas sempre pensei que desistir da vida é o caminho dos mais fracos e covardes e mesmo nesse estágio vegetativo em que me encontro, ainda quero lutar pela vida.
Tento sair de casa, mas tudo piora, ver as ruas que passamos juntos inúmeras vezes, fazendo promessas para as nossas vidas, a praia, os carros, os bares, os bancos, o céu que sempre esteve por cima de nossas cabeças para nos dizer que ele era o limite, o limite de nosso amor.
Solidão. Esse é o oposto de amar.
Porque depois de tantos anos juntos, de repente se ver sozinho em uma casa que era apenas alegria e amor e que agora fede a tristeza e pranto, isso sim é solidão. De repente passar pelos lugares que sempre estive em sua companhia e que eram os lugares mais lindos que já vi, agora são como olhar um quadro rasgado e sujo, uma coisa sem objetivo, isso sim é solidão. De repente olhar para o céu que era a testemunha de nosso amor e que sempre pensávamos em como poderia existir algo tão belo, agora é apenas uma colcha suja e cinza em cima de todos nós, isso sim é solidão.

Solidão, esse sim é o oposto de amar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Rodrigo e Leandro

- Eu te amo.
Essas foram as palavras que ele usou.
Enquanto caminhava de volta para o hotel, Rodrigo ainda não acreditava no que tinha ouvido. Voltando da casa de seu amor de infância, Leandro. Rodrigo, que sempre foi um rapaz sonhador, queria ser jornalista, queria estar no mundo. Leandro, era um rapaz tímido, que queria conhecer o mundo, por isso a profissão que ele e Rodrigo escolheram era perfeita.
Se conheceram aos 7 anos de idade na rua da casa deles, eram vizinhos e desde então nunca mais se separaram. Estudavam na mesma classe, iam aos mesmo lugares, gostavam das mesmas coisas, eram amigos inseparáveis. Quando terminaram os Ensino Médio, decidiram que iriam ser jornalistas de renome para alcançarem seus objetivos. Mas por obra do destino, eles se separaram.
Rodrigo foi estudar em São Paulo, mas ainda assim nutria esse sentimento mágico por Leandro sem que ele soubesse. Leandro foi pro Rio de Janeiro, amando sem saber o amigo querido.
No último ano de faculdade, resolveram que deveriam se ver novamente, nada mais de emails, MSN, iriam se ver em carne e osso. Rodrigo foi então para o Rio de Janeiro nas férias para rever Leandro. Durante os vários dias que se passaram, cada um foi se descobrindo novamente.
Rodrigo agora usava óculos, gostava de comida japonesa, ouvia indie rock e gostava de seriados americanos. Era mais alto do que antigamente, usava barba e tinha o cabelo todo cacheado.
Leandro era mais forte, era vegetariano, ouvia samba rock, lia clássicos da literatura brasileira como se fossem revistas. Estava mais moreno, adorava praia e tinha o cabelo liso e queimado de sol.
Leandro mostrou os pontos turísticos da Cidade Maravilhosa para Rodrigo e conversavam sobre várias coisas. Os dois estavam concluindo o curso, tinham que entregar seus trabalhos finais, então viviam conversando sobre seus trabalhos, pesquisas e etc.
Nunca falavam sobre mulheres. Nunca iam a baladas ou locais cheios de gente. Sempre era apenas os dois em todos os programas, nenhum amigo da faculdade, nenhum vizinho, somente os dois. E isso ainda não tinha saltado aos olhos deles.
Rodrigo tinha reservado uma semana em um hotel, próximo aonde Leandro morava, Leandro insistia para que o amigo ficasse em sua casa, afinal queria ficar com Rodrigo se deixasse todos os segundos do dia. Rodrigo por sua vez, tinha medo de que seu amigo notasse seu amor por ele, sendo assim continuava a recusar os pedidos de Leandro.
Faltando apenas um dia para Rodrigo voltar pra São Paulo, eles resolveram passar o dia juntos, sem se preocupar com nada.
Estavam jantando na casa de Leandro, quando de repente, seus olhares se encontraram.
E o que alma e o coração dos dois mais desejavam aconteceu. Um beijo.
Um beijo tomado por anos de espera, por anos de sofrimento e de amor.
Descobriram ainda mais segredos um do outro. Leandro e Rodrigo nunca haviam beijado outra pessoa, porque só desejavam um ao outro. Mas o medo de contar e perder a amizade era tanto que nunca mencionaram para o outro seus verdadeiros sentimentos.
Na noite do primeiro e tão esperado beijo de amor, tiveram sua primeira e tão esperada noite de amor.
E de amanhã, quando Rodrigo tinha que voltar ao hotel para pegar suas coisas e ir de volta para São Paulo, ele ouviu o que sempre desejou ouvir de Leandro:

- Eu te amo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sábado Compulsivo

Quase meia noite. Se arruma na frente do espelho e não se sente muito bem com o que veste.
Mesmo assim, sai em direção da porta da frente. Desce três lances de escada, mais alguns passos está na rua. Poluição, carros, gritos, fedor de urina, gente vendendo, gente rindo, gente oferecendo, gente bebendo.
Começa o trajeto para a boa da noite, passa por algumas pessoas, tudo brilha e fede. Tudo fala e é surdo ao mesmo tempo.
O local está cheio, observa algumas pessoas que estão do lado de fora fumando, bebendo e falando banalidades. Resolve entrar, pega um dose de vodca e uma cerveja, vai para rua, fuma alguns cigarros, as coisas ao seu redor continuam a se mover loucamente, carros passam a cada vez mais rápidos e em grandes números, profissionais da noite desfilam pra lá e pra cá, oferecendo o que pode oferecer.
Quase duas da manhã, A "sede" começa a ficar cada vez mais insuportável. Depois de tomar umas cinco doses de vodca, algumas tantas cervejas, fumando vários cigarros e conversado com várias pessoas, interessantes ou não, é hora de saciar a sede.
Desce a escada do bar e entra na pista. A música é extremamente dançante e delirante. Sente como se estivesse em outro planeta. Laser verdes explodem por toda a parte, pessoas dançam freneticamente, se esfregam em todas as direções, corpos suados dançam como um só.
Ela se aproximou, dançaram durante alguns minutos, que pareciam anos, pois assim entravam em contato pelo tato e olfato. Ela quer companhia no banheiro. A porta se fecha. Uma carreira desaparece, as bocas se encontram vorazes, o tato se torna mais intenso, mais selvagem, a sede por sexo e logo mais o climax. O banheiro fica novamente vazio, mas a sede ainda está forte, depois de ir mais duas vezes ao banheiro fazer as carreiras desaparecerem e a sede ser um pouco saciada com outras duas estranhas, a noite continua rolando solta.
Sente duas mães fortes em torno de seu corpo, a barba raspando sua nuca, dança no rito do cara, que lhe diz obscenidades no ouvido, ele quer te chupar, quer gozar com você, quer delirar em teu corpo, a excitação aumenta mais e mais.
Correm pela rua de mãos dadas, param em algumas esquinas pra se beijar e se tocar com tesão.
Entram no apartamento do rapaz barbado, quase sem roupas. Se deitam em uma cama de casal, o ar do apartamento é de ressaca e cigarro barato, com a habitual essência de sexo que todo apartamento de solteiro libera pelas paredes.
Sexo, sexo, sexo, sexo é somente isso que se passa nessas almas.
Depois de muita saliva, dentes, unhas, pubianos, contrações, suor, dor, tesão e gozo. A sede goza loucamente.
Olhando o teto, o único pensamento que tem em sua cabeça é....

Quero outro cara.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Julia

Desliga o telefone. Ainda não acredita no que acaba de ouvir.
Seu corpo ainda não responde, sua alma ainda está aturdida.
Todo amor, toda a paixão, toda a esperança que ainda havia em seu ser foi pro ralo.
Seus sonhos, suas vontades....
Se joga na cama do quarto, grita, chora, se debate.
Pensa em como vão ser as coisas daqui pra frente.
Vai pro banheiro, se lava e chora novamente.
Vai pra cozinha, sente o cheiro que tanto dói no seu ser.
Vai pra sala e ainda consegue ouvir as vozes, as risadas, os gritos.
Decidi sair. Acende um cigarro no intuito de se acalmar, mas acaba por piorar ainda mais o que já está pior.
De repente nada mais faz sentido.
Quem é ela? Aonde está? Por que continua chorando loucamente? Por que grita loucamente? Por que tudo está quebrado por dentro?
Por que?
Sua resposta?
Um caminhão que não viu uma jovem chorando e gritando no meio da pista.
No últimos segundos de vida, enquanto a dor continua forte e insuportável ela se lembra o porque estava assim:

- Amor, vou até a casa da minha mãe faz tempo que não a vejo, amanhã de noite vou estar aqui te esperando com saudade....

- Julia? *soluço* Aqui é a mãe da Fernanda *chora descontroladamente*...*choro* assalto.... *choro* um tiro.... *chorando* JULIA A FERNANDA MORREU! *grita mais e mais*

Ouvindo gritos, pessoas chamando ajuda, mesmo assim ela só pensa em uma coisa:
Vou estar junto de você logo logo meu amor. Te amo.

....


quarta-feira, 9 de junho de 2010

o desespero me despedaça a alma. a volta de sair gritando por ai. a falta de certeza de que ao acordar as coisas vão melhor. putamerda! quero sumir. quero viver em paz. os fantasmas do passado continuam a me assombrar. a insônia está me destruindo pouco a pouco. a solidão. essa sim, já ganhou a batalha. eu que sempre acostumado a viver com as pessoas, simplesmente estou só. não é drama, é realidade. não poder contar com ninguém. desabafar, contar segredos, passar o tempo. o tempo. esse sim tem sido o meu grande inimigo. ele faz com que a dor e a solidão só se prolonguem mais e mais. quero dormir, mas não tenho sono. quero comer, mas não tenho fome.
quero beber, mas não tenho sede. somente ando e respiro todos os dias. cigarros e cafés. o cérebro não para de trabalhar um segundo. vendo a minha vida ser jogada no lixo. sem futuro. fazendo as mesmas coisas. todos falam: levanta! sai dessa vida. o problema é que o corpo não quer obedecer. meu cérebro sangra. meu coração sangra. minha alma sangra. todos sem esperança. sem desafios pra viver. a cada dia que passa é mais um dia. a cada ano que passa é mais um ano. a cada século que passa é mais um século. e no final das contas somente ela vence e me faz companhia.

a depressão.